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Os benefícios nutricionais e emocionais do leite materno

27/08/2021, Elaine de Souza - ACI Famesp

[foto: Banco de Imagens Pixabay]

Além de todos os benefícios naturais, o aleitamento materno é considerado uma estratégia natural de fortalecimento de vínculo mãe e filho, de troca de afeto, proteção e nutrição para a criança. E quem traz detalhes desse assunto é Marta Guieiro Salgado, 38, técnica de nutrição atuante no Posto de Coleta de Leite da Maternidade Santa Isabel.
“O aleitamento materno é mais que alimentar. É um momento único em que o bebê se sente protegido, amparado, amado e nutrido. É a melhor maneira que o bebê encontra para estar perto da mãe”, destaca.
Para a profissional, a amamentação também permite que o bebê tenha contato com a mãe e perceba o mundo ao seu redor. “Um lado da criança está com o corpo da mãe e o outro lado está voltado ao ambiente”, observa. Confira, a seguir, nosso bate papo.

[foto: Robson Braguetto/ MSI]

Especialistas afirmam que, ao nascer, o bebê deve amamentar na primeira hora de vida. Qual a alternativa se por algum motivo, de saúde materna, por exemplo, isso não for possível? 
Marta Guieiro Salgado | O ideal seria que todos os recém-nascidos fossem amamentados ainda na sala de parto. Infelizmente, nem sempre isso é possível. Principalmente no caso dos prematuros, que muitas vezes precisam de maiores cuidados para sua melhora e bem-estar. Nesse caso, poderia ser realizada a colostroterapia, que seria algumas gotas do colostro na boca do recém-nascido. Mas a colostroterapia ainda não é realizada em todas as maternidades porque trata-se de uma experiência que ainda necessita de comprovação científica.  

Do ponto de vista nutricional, quais os benefícios do leite materno?
Marta Guieiro Salgado | O leito materno, além de alimentar o bebê, com todos os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento, tem benefícios importantes para garantir a saúde e fortalecer o sistema imunológico, pois é rico em proteínas e nutrientes para cada fase da vida do recém-nascido. O leite materno é produzido de forma equilibrada e nas quantidades adequadas de proteína, carboidratos, gorduras e água. É o único alimento que o bebê precisa até os seis meses de vida, pois mata a fome a e sede do bebê. É facilmente digerido e ajuda a evitar problemas como gases, cólicas intestinais e ainda protege o intestino do recém-nascido.    

Para recém-nascidos e para prematuros há alguma recomendação especial sobre o aleitamento materno?
Marta Guieiro Salgado | A recomendação sempre será amamentação exclusiva até os seis meses de vida, podendo ser mantido por dois anos ou mais, junto com outros alimentos. No caso dos prematuros nem sempre será possível receber o leite da mãe de imediato, por isso contamos com a ajuda do Banco de Leite Humano, que nos fornece o leite humano das doadoras pasteurizado. E para que no futuro esses bebês possam vir a mamar em sua mãe, aqui na Maternidade Santa Isabel temos o posto de coleta onde realizamos atendimento e orientação sobre coleta e armazenamento do leite das mães que têm os seus bebês internados na UTI Neonatal, no intuito de garantir a produção desse leite até o momento em que o bebê prematuro esteja pronto para realizar o aleitamento materno.  

Toda mulher é capaz de amamentar ou isso é mito? Há mulheres que sofrem e se culpam por não produzirem leite. Qual a orientação nesses casos?  
Marta Guieiro Salgado |  Em geral, não existe impedimento até mesmo para casos de mães doentes ou que sofreram intervenções cirúrgicas. Algumas vezes encontramos alguns problemas que dificultam o aleitamento materno, seja por tabus ou algum trauma. Nesses casos, contamos com ajuda das fonoaudiólogas e da psicóloga, realizando uma investigação mãe e bebê. As fonos avaliam a pega do bebê, os reflexos e a sucção. A psicóloga, por sua vez, investiga possível trauma ou algum outro problema. E assim vamos conseguindo que mãe e bebê superem os obstáculos e a amamentação aconteça da forma mais natural possível. A Enfermagem também tem um papel importante nessa fase. E, se mesmo depois de todas essas tentativas, por algum outro motivo não existir a produção do leite materno, o médico pediatra receita uma fórmula, pois esse bebê precisa ser alimentado.      

[foto: Robson Braguetto/ MSI]

Quais as principais dificuldades apresentadas pelas mulheres que dão à luz na MSI relacionadas a aleitamento?
Marta Guieiro Salgado |
Na verdade, a falta de conhecimento sobre amamentação acaba gerando um certo preconceito e, consequentemente, uma dificuldade no processo do aleitamento materno. Não são raras as vezes em que ouvimos relatos de mães com medo de que seu leite seja fraco e que não irá suprir as necessidades alimentares de seus filhos. Sabemos que esse é um tabu já comprovadamente descartado, pois pesquisas mostram as ótimas qualidades nutricionais do leite materno. Outros empecilhos são a falta de apoio dos familiares e até mesmo dos pais, que muitas vezes não oferecem o apoio necessário à suas esposas. Sem contar a sociedade e a grande mídia, que muitas vezes expõe alternativas ao leite materno mesmo quando não existe necessidade de substitui-lo.   

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Atenção: Essas orientações não substituem uma consulta com profissional da saúde. Se você apresenta algum dos sintomas aqui descritos, procure o seu médico e informe-se sobre os cuidados necessários.