Conheça a história da Maria Inez

depoimento



Olá, meu nome é Maria Inez. Trabalho no AME Bauru.

Em outubro de 2013, participei do mutirão de mamografia do Hospital Estadual com as Amigas do Peito de Bauru. Sabia que não tinha a idade, mas fui acompanhar minha mãe e me inscrevi.

Em janeiro de 2014, saiu a confirmação de que eu estava com câncer de mama, o nódulo possuía três centímetros, estava grande e se espalhando pelo corpo. Não havia percebido porque ele era mole, parecia uma esponja e parte do meu corpo.

Fiz quimioterapia, cirurgia para remover o que tinha sobrado, mais um pouco de quimio, radioterapia e, hoje, ainda tomo um remédio todo dia, que é um hormônio-terapia, ele vai até agosto de 2019.

Gostaria de dizer a vocês para que se cuidem! Se amem! Se tratem com carinho! O nosso corpo é a nossa morada, é a coisa mais pura que temos, um presente de Deus, da natureza, ele é muito sábio. Tudo o que a gente resolver fazer com ele, ele aceita, inclusive violência, só que há uma resposta depois (por isso o sábio), ou um sinal de alerta. Tive câncer de mama jovem, era meu corpo pedindo ajuda e dizendo que algo não estava bom.

Passar por uma doença dessa não é fácil, não. Eu poderia ter desistido, ter tido dó de mim, ter ficado revoltada por ser nova, ter rejeitado o meu corpo, mas resolvi me ajudar. Não entendia nada de medicina e nem de tratamento médico. Li bastante e falei com muitos médicos diferentes... Descobri que, no tratamento dessa doença, a cabeça, a fé em Deus, o otimismo e a paz interior são muito importantes. Percebi que essa era minha parte: seguir o que os médicos falavam, manter a fé, o bom humor e o otimismo.

Temos que quebrar os padrões, infelizmente ainda tem muita gente que morre dessa doença, mas a medicina avançou. Hoje as pessoas têm mais informações e muitas dessas pessoas sobrevivem, muitas mesmo! Ficar chorando quando raspa a cabeça, igual a Carolina Dieckmann na novela, ou morrer não são a regra. Respeito quem chora e quem morre, é normal, mas não é a regra. Pode existir muita vida, muita felicidade durante e após o tratamento.

Viver é isso. Mesmo que eu fosse morrer em uma semana, seria melhor passar uma semana revendo todo mundo, feliz e grata pelo o que vivi, sentindo o calor do sol e o frescor do ar, o canto dos pássaros, ou seria melhor viver minha última semana desesperada, chorando, maltratando a mim e ao mundo? Iria resolver?

Na minha cabeça, não fazia sentido me revoltar, afinal era eu mesma, meu corpo. A Marilyn Monroe era bela, famosa, rica, jovem e se matou. A Madre Teresa de Calcutá vivia na pobreza, via doença todos os dias, não estava perto de sua família e não se matou. Ela era feliz, serena e calma. Por que? Não quero ser Madre Tereza, mas quero dizer que ser feliz e ter paz é uma decisão de olhar para a chuva de inspirações que a divindade nos envia todos os dias.

Tem gente que não morre jovem, mas passa seus 80, 90 anos reclamando, sofrendo, xingando. Problemas todos temos! E quantos são, né? O fardo de uma pessoa não é o mesmo da outra. Algo pode não ser nada para alguém, mas pode ser tudo para a outra pessoa. Não julgar as pessoas também é muito importante!

Por favor, decidam por ser feliz, na nossa jornada teremos altos e baixos. Ser feliz é como em um emprego, temos que realmente trabalhar diariamente para ter esse olhar de gratidão, de paz e amor pela vida e pelo mundo. É um treino e uma construção. Não cai do céu. Prestem atenção nos seus sinais corporais e respeitem. Cuidem de si.

Hoje, continuo realizando muitas coisas ao mesmo tempo, talvez até mais que antes. Por exemplo, comecei uma faculdade nova que me ocupa bastante. A percepção da vida e do tempo mudou. Hoje, ele corre mais brando, mais suave, a primavera é mais perfumada, o canto dos pássaros, o calor do sol, a água, a vida, o sol são celebrados. Nunca pensei em pensar em azul, em saúde, em luz, e hoje penso em tudo isso, tento só pensar em coisas boas, me conectar com Deus. Tenho meus defeitos (e não são poucos), mas procuro realizar cada tarefa diária em contemplação e gratidão à vida, da melhor maneira possível que posso no momento.

O caminho pode ser longo e difícil, mas quando feito com bons amigos, com amor, com a família, com Deus e com gratidão pode se transformar em realizações incríveis, em verdadeiros milagres. Se você não tiver tudo isso, crie!
Mude seus padrões, seja feliz com outras coisas que a vida lhe ofereceu. Até hoje me pergunto se tenho dimensão do que passei.
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[A divulgação desse depoimento tem a autorização expressa da colaboradora Maria Inez com o objetivo único de inspirar outras pessoas]