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Neonatologista faz recomendações sobre aleitamento materno para casos suspeitos ou confirmados de Covid-19

- Cadastrada em: 28/08/2020, Ronaldo Diegoli, Assessoria de Comunicação e Imprensa Famesp

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Ao dar à luz, muitas mulheres experimentam momentos de felicidade e alegria ao mesmo tempo em que se deparam com grandes responsabilidades e preocupações em relação ao desenvolvimento e à saúde do bebê. A ajuda do pai e dos familiares e pessoas que formam a rede de apoio é fundamental neste momento, principalmente para que o processo de amamentação aconteça nas condições ideais. Mas o que fazer em relação ao aleitamento materno, tão importante para a mãe e o recém-nascido no caso de suspeita ou confirmação de infecção da mãe pela Covid-19?

Na avaliação da pediatra e neonatologista da Maternidade Santa Isabel de Bauru, Livia Iacy Tardin Colturato, “não existe comprovação de que há transmissão do vírus através do leite materno, então, os benefícios para o bebê  superam e muito os riscos de se contaminar com a Covid-19”. Entretanto, a médica pondera que as mães precisam tomar precauções e medidas nesses tempos de Covid-19, já que o Coronavírus pode ser transmitido através das gotículas respiratórias. Além disso, o vírus também pode permanecer em superfícies por horas e até dias, e também nas mãos, o que demanda cuidados de higiene redobrados. O uso de luvas cirúrgicas ou de procedimentos descartáveis nas trocas de fralda e de roupas, por exemplo, é recomendado.


Para amamentar, a mãe com suspeita ou confirmação de Covid-19 deve:

- lavar as mãos por pelo menos 20 segundos com água e sabão antes e depois de tocar o bebê;

- utilizar máscara que cubra a boca e o nariz, trocando-a na próxima mamada em caso de espirro ou tosse;

Mesmo sabendo da importância do toque para a humanização da relação entre mãe e filho desde os primeiros momentos, as medidas de contenção são imprescindíveis para a proteção do bebê. “Durante a amamentação deve-se evitar que o bebê toque o rosto da mãe, especialmente boca, nariz, olhos e cabelos neste momento da pandemia” alerta.

Após a mamada, se possível, mães com suspeita ou confirmação de Covid-19 devem deixar os cuidados do bebê como banho e sono  sob responsabilidade de uma outra pessoa da casa que não tenha sintomas ou confirmação para a doença. Colturato sugere ainda que “no caso de a mãe não querer amamentar neste momento, ela pode retirar o leite para o bebê no copinho e outra pessoa que esteja saudável pode oferecer ao bebê”.

A mãe que costuma fazer doação de leite materno aos bancos de leite, se estiver com suspeita ou confirmação de Covid-19, não deve fazê-lo. Esse gesto solidário, sempre muito bem-vindo e necessário para ajudar as mães que têm dificuldades de amamentação,  é contraindicado neste caso. “Quando for considerada curada, após todo o período de transmissibilidade do vírus, aí sim podem retornar as doações” explica a médica. As lactantes que convivam na mesma residência que uma pessoa com suspeita ou confirmação de Covid-19, e que, portanto, mantêm contato próximo e direto com essa pessoa, também não devem fazer a doação de leite, de acordo a neonatologista da Maternidade Santa Isabel.

Benefícios da amamentação para mães e bebês

Estudo realizado pelo Ministério da Saúde entre fevereiro de 2019 e março de 2020 revela que apenas 45,7% dos bebês menores de seis meses de vida são amamentados exclusivamente com leite materno no Brasil. Outros dados comprovam a importância dessa alimentação exclusiva não só para o bebê, mas também para a lactante:

- Crianças amamentadas têm menos alergias, infecções, diarreias, doenças respiratórias e otites, além de menores chances de desenvolver obesidade e diabetes tipo 2;
- Amamentar reduz as chances da mulher desenvolver câncer de mama. A cada ano que ela amamenta, reduz em 6% o risco de desenvolver esse tipo de câncer.